Desde a infância, Sol cultivou uma ligação profunda com a música, estudando teoria musical, piano, acordeon, violão, balé clássico e canto lírico. Bacharel em Direito, escolheu dedicar-se profissionalmente ao canto, desenvolvendo uma carreira que atravessou ritmos latinos, baladas românticas e músicas populares, sempre com interpretação envolvente e carisma único.
Sua produção fonográfica inclui um LP e três compactos:
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1981: compacto “Meu Gatinho” / “Santa Maria do Amor”
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1982: compacto “Sonho Colorido” / “Pingos de Chuva”
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1985: compacto “Eu e Você” / “Professor de Amor”
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1989: LP “Lambada Sabor Tropical”, obra que refletiu os ritmos populares e a energia musical da época.
A música “Sonho Colorido” teve destaque especial: foi incluída na trilha sonora da novela “Desprezo” (SBT, 1983, LP da novela) e, décadas depois, voltou a ser lembrada em uma coletânea histórica, aparecendo no disco “The Best of Brega 2”, curadoria do jornalista Rodrigo Faour. O jornalista também mencionou a cantora em seu livro de 2006, de nome "História Sexual da MPB".
No início dos anos 1990, Sol participou do polêmico projeto “Tele Sexo”, um serviço de mensagens eróticas por telefone em que os usuários ouviam contos narrados pela cantora. O trabalho trouxe ampla repercussão, mas foi censurado pela Telesp por motivos políticos e de “moralidade”, gerando polêmica na mídia. Sol foi destaque em reportagem do programa Fantástico, que tratou o caso como um exemplo de falso moralismo cultural.
Um dos momentos mais lembrados de sua carreira foi a passagem por Serra Pelada, em dezembro de 1983, repetida em 1987. Na segunda visita, sua performance rendeu uma matéria na Revista Playboy, intitulando-a “Rainha do Garimpo”. Sol recordou sobre a experiência:
Antes de se tornar conhecida nacionalmente, em 1976, Sol fez uma participação no cinema, aparecendo no filme “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia”, dirigido pelo renomado Hector Babenco.
Sol também teve uma fase marcante no Japão, onde viveu dois anos completos e voltou diversas vezes para períodos menores. Sobre essa experiência, ela contou:
"Trabalhei muito, realizando espetáculos lindos, participei de campanhas publicitárias, fiz várias capas de revistas, comerciais de cerveja, desfilei e aprendi a sambar em Escolas de Samba durante o verão, lecionei português e inglês para alguns clientes das casas noturnas onde trabalhei, e conheci vários países através da equipe que me acompanhava. Até casei pelas leis de Deus com um japonês, muito ciumento, mas maravilhoso."
Nos últimos anos de vida, Sol continuou produzindo e lançou diversas novas músicas em formato digital, mantendo sua voz e estilo para as novas gerações de ouvintes. Sandra do Valle Reis faleceu em 12 de julho de 2025, deixando um legado de talento vocal, presença de palco icônica e coragem criativa, integrando a memória da música popular brasileira com episódios de ousadia, sensualidade e pioneirismo artístico. Abaixo, uma reportagem comentada pela própria artista sobre sua tragetória e lembranças.














